22 dezembro 2007

Macieiras... Maçãs...



Eu gosto de maçã. Raul Seixas diz, "por que quem gosta de maçã, irá gostar de todas, por que todas são iguais". Só que nem sempre todas as maças são iguais. Elas podem ter mesmo, formato, mesmo gosto, mesma cor, mas existem diferenças, e, quem gosta de maça sabe que existem mesmo sérias distinções de uma maça de uma macieira, para outra de outra macieira. Existem macieiras importadas, nunca provei nenhuma. Achava que maçã Japonesa seria super. Tenho uma macieira genérica assim meio japonesa, na verdade é mestiça, tem um pouco do estilo assim puxadinho do Japão, com os temperos da Bahia, para eu que me considero um baiano quase legítimo é muito bom. Eu sempre soube que macieiras são legais, e, sempre não quis ter uma assim especificamente minha. De fato nem me preocupava com isso, achava estranho ter que cuidar cultivar. Aí preferia tipo ter contato com macieiras mais generalizantes, mais públicas assim, por que, não sendo minha nem precisaria cuidar, aí volta e meia quando eu quisesse maçãs, era só ir a macieira e ver se ele tinha ou tava disponível.

Mas maçãs não são todas iguais, e discordo do Raul Seixas, acho que ele tinha uma macieira e estava se desfazendo dela, aí usou do teor retórico intentando dizer que não tendo mais no quintal poderia ter acesso a pomares, diversos tipos de macieiras com suas maçãs.

Já gostei de ir a pomares, sabe aquela coisa de não ter eminentemente direito, e ir em busca? Pois é, ia num pomar e tentava comer maçãs de diversas macieiras. Tem pomares e situações que convergem para a "comilança", numa vez comi maças de 04 tipos de macieiras numa chácara que fui. Tem gente que consegue bem mais, só que tem de ter a técnica e os atributos. Eu não reunia tantos, já tiveram vezes de ficar insistindo numa macieira só, mesmo sabendo que não iria sair maçã nenhuma dali.

Certa vez perdi a paciência com uma macieira. Eu irrigava, adubava, e nada de sair nem um brotar de maçã, e eu doido de vontade de comer uma maça daquela macieira. Também, já desejei maçãs de macieiras das mais primorosas qualidades, que nem com todo meu latim e a beleza do " Leonardo di Caprio" conseguiria. Tem também maçãs que você sabe ser demais assim dizendo para seu caminhão, aí fica só na imaginação. Quando adolescente, eu já até em sonho sonhei comendo maçãs de certo tipo de macieira que me deixou instigado, era uma macieira mestra assim dizendo. Aí só tive no sonho, e só era no sonho mesmo.

Tem gente que tenta arrancar maçãs a força do pé. Determinadas chácaras são mais propícias a isso. Alguns pomares também... mas, as vezes depende muito da macieira, as vezes elas são mais maleáveis, e diante do barulho e das ventanias, ficam balançando assim demais, se expondo demais, aí chama atenção daqueles que gostam de comer, e só pensam em comer quantas maçãs possíveis da maior variedade de macieiras. Já participei de coisa do tipo, uma espécie de cerco, em que um ia e arrancava a maçã da macieira. É meio animalesco, e assim, acho que machuca a macieira, mas tem delas que parecem gostar do "puxa-estica", sentindo que são desejadas, sei lá.

Muitas macieiras parecem se destacar em meio as outras, algumas se esforçam e até forçam nesse sentido de querer chamar atenção. São macieiras vulgares. E o encanto não mora na vulgaridade. Cabe nem sempre, nem sempre pensei assim. E as macieiras as vezes se ofereciam sem que eu quisesse eminentemente, aí eu ia e aceitava uma "maçanzinha". Ademais, já fui considerado chato também, por não aceitar assim as mudas de macieiras que me ofereciam. Confesso que algumas até interessantes já surgiram e eu rejeitei, talvez por achar melhor sair assim colhendo quando tinha chácara para ir, ou evento assim num pomar, ou era preferência pela informalidade. Aí, não precisava irrigar, cuidar, adubar e fica com um pé de macieira só.

As pessoas são livres para fazerem escolhas, muitas querem uma macieira no quintal, para cuidar, zelar e ter maças durante todo o tempo. Outras pessoas, preferem as chácaras os pomares, pois vão provando daqui, dali, vendo qual pé tem maçã melhor. Aí, constroem-se experiências múltiplas, faz-se contato com vários pés, que por vezes podem ficar no seu pé mesmo, é só saber conduzir a colheita, o cultivo. Falando em colheita, já meio que colhi maçãs em dois pés ao mesmo tempo, isso por que não tinha vínculo, não levei para casa nem assumi o compromisso específico com nenhuma delas. Tem gente que vive assim, contatando várias macieiras e não apenas duas. Aí, além de não viver intensamente com nenhuma, por vezes tem todas e não tem nenhuma quando mais se precisa.

É de se pensar também, no fato de ter ou não ter mais de um pé de macieira. O figurino manda e reza ter apenas uma no quintal, só que existem exceções humanas que tentam cultivar mais de um pé. Porém, a prática de possuir vários pés de maçãs, foge a perspectiva de seriedade de compromisso, pois, quem escolhe uma muda bem sabe que esta necessita de cuidados, de dedicação intensa, de respeito no cultivo.

É possível ir num pomar e não querer nenhuma maça de pé nenhum? Essa indagação surge e é possível sim. Basta saber que você tem um pé em casa, e que pelo contato, cuidado, e vínculo, é ele o que se tem e o que se deve consumir e só. Mas talvez seja complicado, estar diante de maçãs assim diversas, de pés diversos. Inclusive de pés já provados, que já se avaliou com nota máxima. Cada cultivador sabe da macieira que tem. E cada macieira sabe da maçã que produz. Nesse passo, existem cláusulas, valores, princípios e interesses em questão. Mesmo que estando num pomar, inclusive com macieiras já provadas, mesmo que me lembrasse, lembrar-me-ia mais do pé que cultivo e que nutro apreço. Cultivar maçãs é uma arte, e custa muito ter um pé bem fornido, bem vistoso. Em certos tempos na vida, nos deparamos com a idéia de que bom é comer de várias maçãs de vários pés, sem se filiar a nenhum. Depois, muda-se a visão, entendendo-se melhor e guiando-se pela linha de que mais vale ter um pé fixo, capaz de produzir em larga escala e de forma intermitente, bastando cuidar, irrigar, adubar, e, ter-se-á maçãs para sempre com a mesma qualidade ou quase a mesma (pois pés de maçãs envelhecem e se esquecem, e deixam de produzir maçãs). Talvez, estando diante de um pomar, de macieiras já provadas assim se balançando logo a frente, bem de perto, seja mais possível lembrar do quintal de casa, do que do pomar que se põe a diante. Mas isso depende da concepção do apreço que cada um possui e da forma valora sua macieira.

Quando mais menino, não pensava em filiar-me a nenhuma macieira, dava primazia a idéia de ir no pomar, de colher em diversos pés, mesmo sabendo da efemeridade. E a efemeridade era bem vista até, não exigia muito, e tudo começava com um prazo para terminar. Depois, provei de maçã que não conhecia, ou conhecia o pé sem provar da fruta produzida... aí, fiquei maravilhado, não só pelo pé (assim no estilo oriental-baiano), nem só pelo formato, ou pelo que representa e representava, nem só pela proximidade, nem só pela identificação imediata, mas acho que pelo conjunto e pela circunstância surpreendente do contato, o acaso junto com destino, esculpido talvez em páginas invisíveis da história toda uma locupletação reciprocamente manifesta, que ainda não conhecida até então. O resumo da ópera consiste no fato de que já gostei de maçãs, continuo gostando, porém exclusivas de uma macieira só, que plantei no meu quintal, no canteiro da minha janela, que sempre quando abro, vejo ali uma árvore frondosa, a frondosidade mora ali diante de mim, e as maçãs são robustas, encantadoras, todas. Além disso, a terra é boa, o solo fértil, de bom Ph, cabe zelar, "Preservando a safra boa já plantada, Agregando valor ao que já existe" (Citando 'Surpreendente' -texto deste blog do mês de fevereiro). Tem muito carinho no cultivo, irrigação, adubação... dizem os cientistas acerca desse cultivo quando assim realizado, gera duração longa, forte e rica sendo então a macieira.

Eis então... finalizando o fim de algo que se concluirá com reticências, gosto de maçãs, nem todas são iguais, e hoje me contento com o pé que tem no meu quintal, por tudo que me produz, pela identidade, identificação, carinho, afeto, amor, dedicação e confiabilidade. Viva a todas as maças provadas e sem igual, e viva as maças que ainda irei provar. Pé de maçã morre? Morre, mas a depender do cultivo e cuidado dura muito, finca raízes, e deixam no mundo "macieiras" a continuarem a perpetuação da espécie...
***Uma homenagem às maçãs e toda a engrenagem do cultivo, da produção e prosperidade manifesta graças a forma como se conduz o cultivo todo... AS MACIEIRAS PODEM SER AS PESSOAS E/OU SENTIMENTOS... E AS MAÇÃS PODEM SER VISTAS COMO FRUTO DISSO: EIJO, ABRAÇO, AFETO, CARINHO E COISAS DO GÊNERO (ESSA É A PARTE EM QUE O AUTOR NÃO MORRE PARA A OBRA E SE MANIFESTA SOBRE ELA)...

4 comentários:

Ana Paula disse...

Olá meu nome e: Ana Paula eu tambem tenho 1 pé de maçã em casa, ela já tem quase 2 anos eu gosto muito dela porque e a primeira Macieira que eu tenho. Eu li o que você escreveu e gostei. Mais o que eu queria saber mesmo era "Quanto tempo demora pra macieira botar flores e frutos. Gostaria que me respondesse si puder ir no meu Blog:ana-shania.blogspot.com agradeço.

DiGo disse...

Olá Rodrigo, meu nome é Fernando Tributino, eu estou procurando saber com quanto tempo a macieira começa a colocar frutos, pq eu tenho uma aki em Recife q fica toda florada mas os frutos não vingam, então eu queria saber se vc teria uma solução, ela tem 4 anos, se vc puder responder manda para digofernando.fox10@hotmail.com - ficarei muito grato, um abraço!

jp silva disse...

elzanira,tenho um pé de maçã já tem 7 meses, com quanto tempo ele coloca?ele é tão lindo,gosto muito dele. pode mi responder por favor.

gilza alfaia disse...

Olá. Rodrigo tenho um pezinho de maça aqui em Manaus, como faço para cultivar e cuida para que ele não morra.

EU E OUTRO EU, EU MESMO... NOS AMAMOS...

"Quem nos vê logo percebe,
O sentimento é evidentemente belo.
É tão simples o nosso sentir: amor...
Fácil tradução, completa simetria.
Para ser mais direto: TE AMO!"

(TE ENCONTREI - R. CARDOSO).